Parece até que foi de caso pensado, mas essa é uma daquelas coincidências doidas da vida.

No episódio desta semana tratamos das histórias que queremos contar para as nossas filhas. E não é que eu encontrei uma que cai como uma luva no que eu procurava?

Sim, o título é esse mesmo: “Olívia não quer ser princesa”!

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Olívia não quer ser princesa, de Ian Falconer

Nessa historinha, Olívia é uma porquinha que não se conforma em ter que se vestir como todo mundo, de rosa, como uma princesa. Seja no balé ou na festa à fantasia (minha tradução para o Halloween), ela sempre arruma uma alternativa e se veste do seu jeito.

“se todas as meninas são princesas, ser princesa não é uma coisa especial”

Passando por uma crise de identidade, a porquinha decide que quer criar um estilo mais moderno. E, em uma referência à coreógrafa Martha Graham, se enrola em sua toalha e começa um balé de lamentação, para não ter que tomar banho.

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A história de Olívia se confunde com a da bailarina norte-americana. Graham foi uma crítica contumaz à utilização do balé de maneira superficial e sempre buscou apresentar em seu trabalho personagens femininas que lutam contra a hegemonia masculina.

Suas coreografias muitas vezes trouxeram certo desconforto, pois o foco principal da artista era expressar emoções, fossem elas boas ou ruins. Nas palavras de Graham, “não quero que [meus gestos] sejam entendidos, eu quero que sejam sentidos”.

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Ao longo da história, há também referência a outras personagens femininas, como Rapunzel, Chapeuzinho Vermelho e a Menina da Caixa de Fósforos. Olívia, apesar de ainda muito nova, busca construir sua identidade feminina, passando por reflexões como “se todas as meninas são princesas, ser princesa não é uma coisa especial”. Ao final do livro, chega a uma conclusão surpreendente e de muita personalidade. Confira.


Vídeo de Martha Graham, falando sobre sua coreografia.

 

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